Criação sem telas: é possível no mundo da tecnologia? Parte 2.

No primeiro texto sobre criação sem telas, contei um pouco sobre a minha experiência com esse universo e minha percepção como professora sobre o assunto. Agora, vou falar sobre isso como mãe. 

Não oferecer telas para crianças é exagero?

Sobre isso, posso dizer que sou grata por ter conhecido a Jaqueline antes de engravidar. Quando ela teve seu primeiro filho, já foi bastante enfática: “Sem açúcar até os dois anos e sem telas!”. Essa é uma afirmação bastante incomum atualmente e pode até causar estranhamento.

“Mas como assim, sem açúcar e sem telas?”, “Isso não é muito radical?”. Hoje em dia, com a experiência que tenho na maternidade, eu respondo que NÃO: não é nada radical; é muito sábio, inclusive.

Precisamos reconhecer que naturalizamos, no cotidiano, algo que não é nada natural ou benéfico. Em restaurantes, festas, no mercado e até em parques, vemos crianças muito pequenas passando horas hipnotizadas pelas telas.

Você vai a um aniversário infantil e, em vez de as crianças estarem brincando entre si, estão entretidas com telas: são jogos, vídeos curtos em redes sociais… E, muitas vezes, sem supervisão nenhuma dos pais. Nós estamos errando muito nesse ponto!

Parece que se tornou quase instintivo: a criança chorou, deixa na tela para se acalmar. Mas quais são os efeitos disso a longo prazo? O que acontece é que o cérebro da criança pequena não tem “freio” (o córtex pré-frontal) para lidar com a dopamina das telas. Ou seja, não há maturidade suficiente para lidar com esses estímulos, e isso atrapalha profundamente o desenvolvimento infantil, impactando diretamente no aprendizado e no controle das emoções. Qual é o repertório emocional que uma criança tem para lidar com as frustrações da vida se, sempre que ela chora, os pais oferecem uma tela?

Você deve estar pensando: “Nossa, falar dos efeitos negativos é fácil; difícil é ter que lidar com tantas demandas e uma criança ao mesmo tempo”. Eu sei que não é fácil e posso falar isso com propriedade. Mas também posso dizer que vale MUITO a pena o esforço.

O que fazer quando a criança chora então?

Minha filha tem quase dois anos de idade e eu nunca dei telas para ela. Em momentos de tensão, a melhor coisa a fazer é parar um pouco, acolher o choro da criança e ajudá-la a se acalmar. É normal que a criança chore com pequenas frustrações; o cérebro dela ainda não é maduro para compreender que as coisas nem sempre são como ela quer. Alguns adultos ainda não entendem isso, não é mesmo?

Então, o segredo é ter empatia com os momentos de tristeza, frustração e raiva dos nossos filhos. Acredite: a longo prazo, o efeito é muito mais positivo do que tentar suprir essas necessidades com telas. Posso dizer que não é nenhum sacrifício para minha filha não ter esse acesso. E aqui o negócio é bem “radical” mesmo: nem televisão nós temos.

Os benefícios de uma vida sem telas para os pais

Os efeitos dessas decisões reverberaram até mesmo em mim, de forma muito positiva. Depois que a Akanni nasceu, percebi que eu passava muito tempo nas telas: assistia a séries, utilizava o celular de madrugada enquanto amamentava. Mas, com o tempo, refleti: “Mas espera aí, se eu não quero que minha filha tenha acesso a telas, eu não posso ser viciada nelas”.

A partir daí, tudo mudou. É um processo longo, mas está valendo muito a pena.

Vida sem telas: o que fazer fora do celular?

Isso levanta uma discussão muito importante: é preciso que os adultos também deixem as telas de lado! Alguns meses após o nascimento da minha filha, vendi a televisão, pois não queria que o meu (e o nosso) lazer girasse em torno de uma tela. Eu queria sair ao ar livre, ir a parques, viver. Outra mudança recente foi a exclusão do meu Instagram. Posso dizer que isso tem me ajudado bastante. Na verdade, só tive a ideia de criar este site por não estar mais no Instagram! Me sinto muito mais criativa e livre para me dedicar a diversos projetos; é o famoso ócio criativo. Se diminuir o acesso às telas tem efeitos positivos até para os adultos, imagina para as crianças?

Em um próximo texto, conto mais sobre a experiência com a minha filha e trarei dicas de como evitar telas na infância. Ficamos combinados?

Me conta nos comentários sobre a sua experiência: sua criação é com ou sem telas?

1 comentário em “Criação sem telas: é possível no mundo da tecnologia? Parte 2.”

  1. Raquel souza santos

    Se nós adultos não conseguimos lidar com telas imagina as crianças? A realidade atual é triste , o meu usa telas supervisionado e 2 h dia mas eu vejo a diferença no dia com e sem tela ! Até ele já reconhece que fica mais criativo e mais ativo. Minha filha que estar por vir quero criar totalmente sem telas

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