Não vou começar respondendo a essa pergunta de cara, vou começar contando para vocês a minha experiência com o uso de telas: estou prestes a completar 29 anos de vida, quase três décadas…
Se você tem uma idade parecida com a minha, ou é mais velho, e não teve uma infância abastada, provavelmente também foi criado longe das telas. Que dias incríveis vivíamos! (Eu sei, pode ser saudosismo, rs).
Mas consigo me lembrar, como se fosse hoje, dos dias brincando na rua com os amigos, ou até mesmo de um dia inteiro de tédio procurando o que fazer. Em alguns momentos, confesso, passava a tarde assistindo à Sessão da Tarde. Mas eram períodos específicos do dia em que tínhamos acesso às telas, concordam?
As redes sociais entraram na minha vida na adolescência e me vi em um caminho que levou ao vício. Na época, não tínhamos dimensão do quanto esse hábito poderia afetar as nossas vidas, não é mesmo?
Tecnologia: sonho ou pesadelo?
Conseguir ir à casa dos primos que tinham computador e internet era um sonho; ter dinheiro para ir às lan-houses era o máximo! Era o início de um vício, admito, mas ainda assim havia um certo controle. Pelo menos não conseguíamos acessar as redes sociais a qualquer momento.
Tudo mudou com a evolução tecnológica. Com o tempo, passamos a ter acesso a tudo na palma da mão, em dispositivos móveis, a qualquer hora. E isso saiu um pouco do controle, não acham?
Bem, corta para 2022. Eu já era uma adulta formada, professora de crianças de 9 e 10 anos. Crianças inteligentíssimas, mas que tiveram boa parte do seu potencial comprometido pelo excesso de telas e pela ausência do brincar na rua.
A reclamação da professora de Educação Física era incisiva: “Esses meninos não sabem nem correr! Não sabem o que é esquerda ou direita, não desenvolveram lateralidade”.
A partir da minha experiência como professora, pude perceber de fato o impacto das telas na vida das crianças de hoje. Quando eu tinha 9 anos, “não saber correr” não era, nem de longe, a reclamação dos meus professores ou dos adultos em relação a mim e às crianças à minha volta.
Como o desenvolvimento infantil foi tão prejudicado em tão pouco tempo? Como deixaram de aprender habilidades tão fundamentais para a vida em sociedade — como saber andar sem esbarrar nas pessoas ou objetos, ou distinguir o lado esquerdo do direito?
Bom, para o texto não ficar longo demais, continuo no próximo, ok?
Mas me conta nos comentários: você também percebe que a tecnologia mudou o desenvolvimento das crianças?

Sim, com certeza mudou…